terça-feira, 6 de maio de 2008

Quanto vale uma consciência tranqüila???

Depende de quanto você pode pagar é a resposta clássica. Há algumas décadas, desde que começaram as discussões sobre meio ambiente e desenvolvimento sustentável, houve um profundo apego pela “causa” e hoje muitas pessoas parecem olhar com bons olhos para ecologia e para a natureza. Porém no dia a dia, quando ações são requeridas, poucos se mobilizam. Não me refiro as grandes ações como enfrentar baleeiros, fazer passeata em frente a uma mineradora ou fazer greve de fome, por causa de rios.

Falo em pequenas ações, em olhar o mundo a sua volta de uma forma diferente, de pensar em como você pode ser melhor para o mundo e enxergar os benefícios pessoais nestas ações.

Por que parece ser tão difícil assim fazer algo? Porque são hábitos enraizados, ou porque simplesmente é mais fácil e energeticamente mais barato jogar a responsabilidade em cima de outros. A culpa sempre pode ser da indústria, dos Estados Unidos que não assinaram o protocolo de Kyoto, ou ainda daquele vizinho porco que joga lixo no chão.

Somos míopes, com relação a natureza e quanto a nossa parcela da culpa. Em pleno século 21 ainda não conseguimos enxergar uma relação entre o uso de recursos e a escassez de matérias primas. Uma relação matemática óbvia, você só come se houver algo a se comer, se houver comida na sua dispensa. Parece brincadeira, mas ainda não conseguimos perceber que os maiores interessados, e porque não dizer afetados, pelo assunto somos nós mesmos.

Acredito que a resposta resida no fato de que nossa espécie, e talvez todas as outras evoluíram para “pensar” na sobrevivência imediata, essa situação aliada a recursos momentaneamente abundantes gera esta sitação de apatia frente ao futuro próximo.
Aliado a isto está nossa perspectiva de proteção ambiental, conduzida com foco principal na nossa espécie. Um exemplo é que devemos agir corretamente para salvar o planeta pelo bem da espécie humana, das futuras gerações ou dos mais necessitados e não pelo meu ou pelo seu bem.
Acredito e incentivo campanhas concervacionistas de todos os tipos, por questões éticas e científicas, mas penso que o foco central das discussões sobre conservação deveriam ser mais focados nos indivíduos. Somente quando notarmos os benefícios pessoais da conservação dos recursos é que estaremos realmente tomando medidas práticas para conserva-los.


Somos egoístas por natureza e só agimos grupalmente quando o beneficio individual é maior que o benefício do grupo. A idéia de uma consciência global é interessante e tem grandes chances de se desenvolver um dia, mas eu ainda tenho dúvidas se há tempo para esperarmos ela chegar.
um bom exemplo de campanha pode ser visto aqui

sábado, 5 de abril de 2008

Nós os gambás..

Venho através desta criticar de forma verdadeira, sincera e honesta a maneira com que vocês nossos primos primatas conduzem suas vidas pessoais e profissionais. Escrevo este ensaio também na tentativa de entender um pouco mais as incoerências associadas a este estranho modo de vida, e o porque vocês fazem tanta questão de ignorar as outras manifestações animais.

Meus queridos placentários, nós como os outros seres vivos, apesar de muito diferentes de vocês primatas modernos também pensamos e lutamos pelos nossos direitos. Só não temos a quantidade de tempo ocioso que vocês tem.


Não passamos horas, dias e anos em frente a caixas luminosas, comendo mais do que precisamos, não criamos leis que somos incapazes de cumprir, nem pregamos o desenvolvimento sustentável, porque realmente também não acreditamos nele. Vocês chegam ao absurdo de criar pastagens para não precisarem mais caçar e mesmo assim ainda matam meus filhos para consumir uma misera porção de carne.

Alguns de vocês, a minoria, se diz mais inteligentes que os companheiros e pra provar isso pregam pedaços de papel ou couro de outros animais na parede e se auto-intitulam cientistas!
Esta sem dúvida está entre a guilda de seres humanos mais interessantes de se analisar, são dentre todas as criaturas as que mais leram livros e estudaram outras criaturas e ainda assim continuam a cometer os mesmo erros de incoerência dos menos letrados.

“Pesquisam” a biodiversidade mas ainda não se deram conta que fazem parte dela, geram listas e mais listas, nos dão uma série de nomes complicados que a maioria nem sabe pronunciar, produzem gráficos e números absurdos que só fazem sentido para si próprios.

Colecionam artigos científicos, como as crianças de sua espécie fazem com bonecas e figurinhas coloridas, balançam a cabeça e fazem caras de indignados em sinal de discordância quando recebem uma notícia triste e por isso se julgam especiais, diferentes, capazes de sentir e pensar mais.

Um de vocês (Wilson, 2002) uma vez me disse que o serviço prestado pelos ecossistemas é estimado em 33 trilhões de dólares por ano, bom, ou nós marsupiais não fazemos parte deste ecossistema ou vocês não sabem fazer conta.

Como um bom portador de sobrancelhas eu ainda posso me considerar com sorte em comparação aos outros animais da floresta que as vezes nem são vistos como tal, mas mesmo assim sou desprezado pela minha aparência triste e por minha fama fétida. Dessa forma só me resta aceitar o mesmo destino dos outros 99,9% da diversidade do planeta, às quais vocês ainda não descobriram uma utilidade imediata.

Triste pelo meu fim, mas feliz por já saber quem vem será o próximo.

Gambá.

domingo, 30 de março de 2008

Pegada ecológica


ou ecological footprint, uma ferramenta bastante interessante, que objetiva calcular a área de terreno produtivo necessária para sustentar o nosso estilo de vida.

Desenvolvida por William Rees em 1992, e apesar de já ser bem conhecida, vem se transformando e aumentado cada vez mais sua acurácia.
Agrega vários componentes, como alimentação, demografia, destino do lixo e respectivas áreas necessárias para produção e descarte deste material.
Acredito que pode ser uma ferramenta para adequar estilos de vida diferente sem ferir princípios claros de liberdade. No final do quiz, você pode ver onde cada uma de suas ações poderia ser ambientalmente melhor, reduzindo dessa forma seu próprio impacto.

Vale a pena pensar mais um pouco.

quinta-feira, 20 de março de 2008

Dia do Consumidor

Todo dia é dia… não bastasse o natal, a páscoa, o dia dos namorados, desde 1962 todo dia 15 de abril é considerado dia do consumidor, como a publicidade sempre vai além, recentemente foi criada a semana do consumidor. Mas enfim, como fazemos isso o dia todo desde que nascemos resolvi procurar no dicionário o significado da palavra. Consumir: 1. Corroer até a destruição; destruir. 2. Enfraquecer, abater. 3. Desgostar, modificar. Estas citações nos remetem a pensar em duas coisas: ou Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, era um louco ou exite muito mais por traz deste ato aparentemente inofensivo de consumir e lei-se daqui em diante comprar.

Olhando bem para cara dele, ele não parece muito a figura típica de um louco, e dada toda sua história de vida, acho que podemos dar-lhe um voto de confiança e tentar entender o que ele quis dizer.
Segundo dados do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) Os países industrializados, em 1999, eram responsáveis por 86% do consumo mundial. Enquanto isso a população mais pobre do planeta consome apenas 1%. Como vivemos na parte "boa" do planeta, deixamos de ter a real noção de quanto consumimos. Conseqüentemente não percebemos o impacto que geramos com isso.



Mas se pararmos para pensar e partirmos do pressuposto óbvio de que os recursos são limitados, veremos que estamos realmente comendo tudo a nossa volta e que muitos outros organismos (inclusive da nossa própria espécie) estão pagando a conta.
Quando consumimos uma salada de palmito por exemplo sem nos preocupar com sua origem, estamos assumindo o risco de contribuir com a extinção de muitas espécies da Mata Atlântica. Isso pra citar apenas um exemplo, podemos falar de petróleo, anel de brilhantes e qualquer outra coisa comprável.
No mundo comercial somente se fala em direito dos consumidores. E quanto aos deveres dos mesmos? Por exemplo, qual será o destino da bateria do meu celular velho depois que eu troco ele por um novinho, ou mesmo com os restos de comida que eu deixo no prato.
Proponho uma atitude racional. Uma atitude de consumo consciente.


Pense antes de consumir, reflita se você necessita mesmo do item que está adquirindo, a custa de que e como ele chegou até suas mãos, e o que seu ato de consumo causará.
Aumente os “Rs” em sua vida. Re-aproveite, Re-crie, Re-transmita.
Você há de concordar comigo que podemos fazer um pouco mais por todos nós...

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

O segundo melhor negócio do mundo

Quer fazer um bom investimento? Quer agir em prol da economia brasileira e ainda conseguir seu primeiro milhão com isso. Segue agora algumas dicas.
Primeiro você contrata grileiros para se apropriarem de terras públicas na Amazônia, depois consegue um registro ilegal da terra em alguma cidadezinha da região. Em seguida pede-se um financiamento rural púbico, para compra de tratores, correntes, sementes de soja ou as cabeças de gado. Agora vem uma decisão pessoal, que vai fazer de você apenas um cara rico ou milionário. Se você tem pressa e quer dinheiro rápido derrube a mata do jeito mais primitivo que conseguir imaginar, venda a madeira nobre pros carvoeiros ou simplesmente troque tudo pelo serviço de pasto limpo. Agora se você pode esperar um pouquinho mais, arrende a terra para uma madeireira eles pagam melhor que os carvoeiros e ainda garantem que essa madeira tupiniquim vai servir de armário em algum lugar da Europa. Depois da terra limpa você pode criar gado como se criava na idade média ou ainda plantar soja para ser vendida para China como ração de galinhas. Neste exato momento você já deve estar rico com todo o commodities que vendeu, ai o governo pressionado pelos ambientalistas e pelas entidades internacionais de proteção do clima, resolve que você deve ser punido por devastar terras públicas da Amazônia. É normal que você se descontrole agora e pense por alguns instantes que tudo está perdido, que o valor da multa será enorme e que será cobrado pelos financiamentos públicos que recebeu. Mas ai você lembra dos amigos da famosa bancada ruralista, dá dois telefonemas, um para o pessoal da “direita” e outro para o pessoal da “esquerda” os dois lados se articulam, fazem uma “coalizão partidária” e pronto. Anistia total da dívida e ainda pode “reflorestar” as áreas degradas com Eucalipto e dendê, que vão lhe gerar algum lucro no futuro. Simples assim.

Enquanto os produtores rurais que andaram dentro da lei, só desmataram o permitido dentro de terras particulares, ganha o premio dos tolos. Além é claro de nossa credibilidade internacional ir pro bueiro, tornando investimentos sociais e ambientais cada vez mais difíceis de se conseguir lá fora aumentando ainda mais as desigualdades sociais.
Ah.. digo que é segundo melhor negócio do mundo porque o primeiro é investir em petróleo, mas isso é outra história....

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Internet verde

Muito se discute hoje no mundo a respeito de meio ambiente e de soluções aplicadas para os nossos problemas ambientais. Neste contexto, tive a iniciativa de montar um blog sobre o assunto, um espaço virtual para divulgação das minhas opiniões, mas também um espaço para veiculação de idéias de outras pessoas e organizações que pensam neste problema. Ajudando desta forma no desenvolvimento de uma Internet Verde, com menos resíduos gerados por bit de informação disponibilizada.

Uma iniciativa que tem muito potencial para dar certo é o portal de vídeos ecológicos ECO 1 – Natureza em vídeos. Neste site são divulgados filmes com uma perspectiva ambiental e com o objetivo de apoiar didaticamente o ensino ecológico. Os Vídeos podem ser assistidos como os do youtube através do site http://www.eco1.com.br/


Outra iniciativa que me chamou a atenção essa semana foi o 1° Salão Nacional de Humor da Amazônia – ecologia no traço. A mostra pretende divulgar as tragédias cotidianas desta tão falada floresta aliando humor a denuncia. O regulamento e as datas de inscrição podem ser encontrados em http://salaohumordaamazonia.com/regulamento/index.php

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Pangea day

Uma iniciativa muito interessante de reconhecimento de cultura global... alguem têm uma camera para me emprestar

Eco-cotidiano

O apego ao ambiente ancestral como estratégia conservacionista!
Incentivar o antigo, o manual, o lento porém prazeroso pode ser uma estratégia conservacionista com grandes chances de dar certo. Parece realidade que natureza ancestral e a cultura moderna travam uma batalha, que em curto prazo, provavelmente a natureza sairá perdendo, nos deixando como principais prejudicados. A idéia já é antiga (mais ou menos 1930) mas parece que pouco foi colocado em pratica. Os parques naturais são criados em todo mundo, ou com normas restritivas demais ou sem restrição alguma, mas principalmente sem qualquer planejamento de uso. Não defendo aqui uma abertura e exploração total das unidades de conservação, mas apoiaria uma maior divulgação destas e melhor gestão destas, através de um zoneamento correto das áreas, e um intenso trabalho de marketing a fim de inserir indiretamente o homem comum nestas áreas. Esta abordagem tem grandes chances de dar certo, pois temos de forma geral uma inclinação inata a se apegar a estes tipos de ambientes. Nós somos tão inclinados a isto que a todo o momento tentamos recriar este tipo de ambiente ao nosso redor, enchendo a casa de plantas, colocando arvores e fontes d’água em shoppings. A idéia é transformar o eco-turismo em um eco-cotidiano, ampliando a escala deste apego natural, para cultura e natureza tornem-se compatíveis.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Bonsai moderno



Vender não, ConCeder sim!
Esta é a nova estratégia "conservacionista" adotada por alguns países, para evitar a perda de seus recursos naturais e de quebra ainda receber incentivos fiscais de nações mais desenvolvidas. A proposta se refere a 50 milhões de acres (equivalente ao estado do Paraná) de floresta Amazônica a serem concedidos ao governo britânico em troca de recursos financeiros e de um compromisso conservacionista com a floresta, a coroa inglesa ainda não se manifestou a respeito.
A questão deve ser bem discutida pois contrapõe questões de soberania nacional com a quantidade de floresta perdida todos os anos devido a problemas administrativos dos países onde a amazônia esta inserida (somente países subdesenvolvidos).
O Brasil adota práticas menos alarmantes mais ainda sim comerciais na administração de seus recursos naturais, onde através das FLONAS (florestas nacionais) é dada concessão a inicitiva privada para exploração sustentável dos recursos naturais. Mas este modelo de unidade de conservação ainda não funciona bem visto que é mais fácil e rentável explorar madeira ilegalmente no país.
O combustível mental no caso é como administrar recursos naturais de tamanha grandeza?
fica ai este texto de inauguração do blog para ser discutido.