sábado, 11 de abril de 2009

Encontro Marcado

Este texto marca um momento de mudança e re-estruturação deste blog tanto na forma de divulgação de noticias quanto nos veículos desta comunicação. Este texto foi publicado na sessão Ciência nos Recifes, do Jornal Coral Vivo notícias em sua oitava edição.
Para quem não consegue ler letras tão pequenas abaixo vai uma transcrição mais completa do texto.


Os recifes de coral, mais do que pedras, mais do que colônias de invertebrados, eles são um verdadeiro ponto de encontro para diversos seres vivos marinhos. Toda esta riqueza de organismos, aliando a uma relativa estabilidade de condições físico-químicas, faz destes ambientes o palco de uma série de fenômenos interessantes. Estudos realizados em recifes do Atlântico ocidental mostram a ocorrência de centenas de espécies de peixes. Algumas destas espécies apresentam uma estrita relação com os recifes de coral, alguns defendem áreas de alimentação, reprodução e abrigo, outros apresentam comportamentos de limpeza, comendo ectoparasitas de outros peixes e com isso criando até uma relação de benefício mutuo. Mas talvez o fato mais interessante que ocorra com peixes recifais seja o fenômeno das agregações reprodutivas. Nos peixes da família dos Serranídeos (garoupas e badejos) este fenômeno é relativamente bem descrito. O que acontece é o encontro de centenas e algumas vezes até milhares de indivíduos reprodutivamente ativos procurando parceiros durante um curto período de tempo, para a reprodução. No Brasil, por exemplo de dezembro a fevereiro, durante a lua cheia, dezenas de meros (Epinephelus itajara) se agreguam para reprodução. Talvez não fossem apenas dezenas a algum tempo atrás. Devido a sua alta previsibilidade estas agregações são facilmente localizadas, tornando-se mais vulneráveis a exploração pesqueira. Conclusão: Esta espécie está criticamente ameaçada de extinção. Mais do que o prejuizo de uma espécie é o comprometimento de todo um cenário evolutivo de milhões anos agora ameaçado por um egoísmo que embora seja de todos é praticado apenas por alguns.


Iniciando esta nova fase gostaria também de divulgar o Projeto Coral Vivo que em parceria com o Museu Nacional no Rio de Janeiro (UFRJ) atua principalmente na pesquisa e conservação de recifes de coral no Brasil. O projeto cada vez mais tem se tornado um órgão respeitado e de grande atuação no contexto ambiental do Brasil.
Além do trabalho de conservação, pesquisa e educação ambiental ele dispõe de um programa de estágio ideal para quem tem interesse nesta área, maiores detalhes no site http://www.coralvivo.org.br/
Neste site você ainda pode encontrar as edições anteriores do Jornal Coral Vivo Noticias, apostilas de educação ambiental e formação de multiplicadores, além de um excelente material em vídeo sobre o tema.

3 comentários:

Gustavo disse...

Muito boa a reportagem Renateras.....fiquei impressionado com o tamanho do peixe na foto, sabia que era grande, mas não tanto!!! Um bixo tão bonito como esse não pode acabar por causa do egoísmo humano! Grande Abraço e parabéns!

Romari disse...

Meu querido, finalmente teve tempo de fuçar teu blog com calma, gostei deste artigo, seria melhor ainda se incluísse informação sobre o complexo ciclo de vida destes animais, a enorme área de vida, o tanto que demoram os serranídeos em chegar a esse tamanho, e como é um artigo divulgativo que pode ser lido por um público leigo, deixar bem claro que não é legal (perante a Lei, quero dizer) pescar um bicho desses, porque muitas pessoas desmerecem as razões éticas para conservar, mas prestam atenção às punições relativas a conservação. Acredito que, um pouco em onda com o artigo anterior sobre a economía mundial, temos que falar a linguagem que o mundo entende: as razões econômicas e legais (de Lei, não de caráter) para a conservação da biodiversidade são tão importantes quanto as razões éticas, e mais fáceis de entender para o público leigo.Beijos e parabéns!

Haruo disse...

Mandou bem... Show... Continue com esse trabalho...