terça-feira, 1 de setembro de 2009

Represamentos – Reflexões sobre o seu manejo

Segue abaixo mais um texto publicado em conjunto com alunos do curso de gestão ambiental da Universidade Paulista - UNIP.
O processo de represamento de um rio consiste em barrar seu escoamento natural, aumentando sua planície de inundação de forma a captar o excedente de água para algum uso humano. Trata-se de um processo comum e amplamente empregado no Brasil, seja com objetivos de geração de energia ou para o abastecimento de água. Porém esta atividade modifica drasticamente os ambientes aquáticos pela conversão de áreas rápidas em lentas. Além da diminuição da velocidade, ocorre uma redução da turbulência e do escoamento do rio, promovendo mudanças na composição da fauna e prejudicando importantes serviços ambientais, tais como o transporte de materiais sólidos e a ciclagem de nutrientes.
A represa de São José do Rio Preto é um bem muito importante para a cidade, abastece cerca de 40% da população, além de ser um local muito procurado para o lazer. Há alguns anos o assoreamento neste corpo d’água é evidente. Os principais problemas encontrados ali são a diminuição do armazenamento de água, soterramento de habitats aquáticos, obstruções de canais de cursos da água e o aumento da turbidez, que reduz o potencial de utilização da água e a atividade fotossintética das plantas. Adicionalmente a diminuição do fluxo favorece a retenção de compostos perigosos (inseticidas e pesticidas) disponibilizados pela atividade agrícola no entorno da cabeceira. Assim este problema não interfere somente nas comunidades aquáticas, ele esta diretamente associado a saúde publica da população.
Diante de todos estes problemas, medidas conservacionistas foram tomadas, mas como sempre de forma imediatista e altamente publicitárias. Uma draga foi instalada no passado pra retirar o material sólido depositado no fundo da represa. Apesar de correta a draga sozinha não resolve o problema. Sem um planejamento de uso da área nesta região essas medidas se tornam meramente paliativas.
Faz-se necessário a recuperação de toda mata ciliar e ordenação urbana de seu entorno. Porém medidas como esta representam investimentos muitas vezes em áreas fora do limite do município, além de envolverem grandes questões políticas por conta da especulação imobiliária existente na região.
Texto Janaina Pires Borges e Renato Romero

2 comentários:

Flávia disse...

Parabéns pelo texto e pela preocupação com algo tão importante, mas que passa desapercebido pelos responsáveis políticos. Acredito muito no potencial desse trabalho de divulgação científica de vcs, parabéns pela iniciativa!
Flávia Delella

Renato de Mei Romero disse...

Muito obrigado pelas considerações Flavia..